Não leia!
Não sei vocês, mas eu nunca li tanto na minha vida. Leu o dia inteiro e a noite inteira. Passo em média de 7 a 8 horas por dia, lendo! Eu juro. Até já fiz as contas. Fico no trabalho umas 7 horas pelo menos e, dessas, tiro umas 2-3 horas só pra ler. Depois, aqui em casa são mais umas 4 ou 5 horas também na mesma atividade. Todo santo dia do capeta! Caramba. Só agora me dei conta disso.
Por que eu não percebia? Porque, simplesmente, não leio um livro por inteiro há meses, se é que não deu um ano já. Só pra listar alguns que estão mofando na estante à espera de que, um dia, talvez algum dia eu lhes dê essa honra: Mobile Communication and Society, Mañana en la Batalla piensa en mí, Latino-americanos à procura de um lugar neste século, De eenzamheid van de lange afstadloper (ah, não vou dar os nomes dos autores; o Google está aí pra isso). Fora aqueles que já até desisti de listar. Pra não falar que não leio nenhum livro hoje, de vez em quando, dou uma folheada no As cem melhores crônicas brasileiras, outro louvável livro interminável.
Leio, mesmo, é nos incontáveis textos de blogs, sites, noticiários de acesso cotidiano. A literatura do papel ficou pra trás. Leio, leio, leio, cada um dos textos entre vírgulas, de um jeito picado sobre vários assuntos que volta e meia dão um jeito de aparecer no monitor outra vez.
Estava pensando outro dia sobre isso, exatamente, por causa de um texto que li, dãã, na internet. É do Nicholas Carr, um desses caras que surgem vendendo best-sellers com teorias questionáveis sobre a “revolução” tecnológica. Já deu pra perceber que sou cético com esses caras. Mas, enfim, achei esse texto dele realmente bom, apesar do título Is Google Making Us Stupid? que se parece mais com mais um tratado sobre o “lixo” que se encontra pela web. Carr diz que ele, também, bem como seus conhecidos, acha cada vez mais difícil ler livros por completo. Com outras palavaras, o autor conta que, se antes passava direto por um Tolstoi, de Guerra e Paz, hoje sofre pra terminar um Saramago. Vocês também se sentem assim? Eu, com certeza. Carr discute se essa alteração não seria causada por um excessivo consumo de informações pela internet e o frequente contato com as máquinas. Elas.. (pausa para a 5a. sinfonia de Beethoven)… estariam alterando o modo com o que seu – e os nossos – cérebros processam a informação.
A discussão pode ser exagerada, mas é legal, vai? Não sei isso poderia ser verdade. Vale aqui consultar um neurologista hi-tech. Mas acontece assim mesmo. Não consigo terminar um livro, só que, no entanto, leio MUITO durante o dia sobre MUITOS assuntos. Sem contar o tempo que leio jornais e revistas, tipo, mais umas 1h30 por dia. Fiquei até preocupado e vou me esforçar pra ler mais papel. Dá até pra imaginar as sinapses mentais se transformando em circuitos de placas-mãe, não é?
Vamos ver onde isso vai parar. Quem sabe quando a Copa de 58 fizer não 50, mas 70, 90 anos, a gente tenha uma resposta sobre as conseqüências do excessivo(?) consumo de informações.
O Bonde Aéreo vem pra adicionar mais uma vírgula na sua leitura em rede.
- Até a próxima (b)postagem
*imagem roubada, com o devido respeito e agradecimento, do site http://elisakerr.wordpress.com/
