Graffiti 3D

Esta eu não conhecia. O chão da rua virou tela de pintura pra fazer graffiti. E o melhor de tudo é que as imagens são em três dimensões e têm de ser vistas do ângulo certo, uma ilusão de ótica que é usada há bastante tempo no cinema.
Adorei a idéia. Parece até que um dos mestres nisso, Julian Beveer, já colocou as mãos nas calçadas brasileiras. Mas, não acho que a técnica deveria ser chamada de graffiti, por mais que muitos usem spray. A ilusão de ótica dá uma característica totalmente diferente do graffiti tradicional – abstrato, figurativo ou de tags. Seja o que for, vale a pena conferir.
Pra ver mais, saca a imensa galeria que o WebUrbanist preparou. O site do Julian Beveer também é ótimo.
Abaixo, algumas que gostei mais.





mallu – fui e gostei
Casa lotada no Studio SP ontem para ver a Mallu Magalhães, dessa vez sem o Cam(p)elo. Confesso que fui, como diz meu avô, “de nariz fechado” e cara de desconfiança. Conhecia o som da garota só de myspace, youtube e ipod de amigos. Achava que fazia uma música muito boa, se eu tivesse a mesma idade que ela. Como não tenho, o folk sentimental não fazia eu sentir nada, a não ser simpatia pelo trabalho.
Ela entrou com o vestido bege e curto, sapatos meio que dourados e tocando banjo. Musiquinha tranquila, mas me impressionei de cara com sua voz. Como canta bem! Nas músicas seguintes, a banda – que é sensacional – entrou em peso no som. Os caras tocam demais. Não sei qual o nome das músicas, reconhecia algumas, mas era realmente estonteante, de não conseguir tirar os olhos da íncrivel presença de palco que ela e eles têm. Mallu já pede para aumentarem o som do violão com a maior naturalidade de um artista de carreira. Tocou violão, banjo, gaita e aquela flauta-piano, arrasando nas letras em inglês (comentário: não demora até virar garota-propaganda de uma escola de inglês, mas isso não tem nada a ver com o show). No final, desceu do palco até escoltada por alguém com pinta de segurança ou produtor. Essa não entendi. Ninguém cercou a Mallu.
Enfim, quero pegar agora o álbum pra comparar. Mas, realmente, mesmo para quem não é fã, vale a pena ver a menina ao vivo. Já tem um videozinho da apresentação, não tá muito bom, mas olha ae:
O artista do acaso
Texto que fiz sobre o trabalho do pinto Rodolpho Parigi.
ARTES PLÁTICAS
Artista do acaso
Rodolpho Parigi, que se interessou pela arte depois dos 20 anos, faz parte hoje da retomada da pintura no País

Filipe Serrano
A trajetória artística do pintor brasileiro Rodolpho Parigi é cercada de acasos. Muito bem sucedidos, por sinal, já que foi a apenas seis anos, em uma viagem à Espanha, que Parigi se despertou pela arte. Por acaso, claro. Ele até costuma a confessar que só conhecia Picassos e Dalis antes daquele momento, ao vislumbrar pinturas e obras arquitetônicas em Madri e Barcelona. Hoje, aos 31 anos, Parigi já carrega o fardo – e uma tatuagem no braço direito – de ser uma das maiores apostas da pintura brasileira contemporânea. E se prepara para abrir em fevereiro do ano que vem a sua primeira exposição individual. “Ainda estou no começo da história”, ele diz.
Suas obras, que refletem um auto-retrato segundo ele, seguem a mesma instantaneidade que cerca sua vida. O trabalho de produção não leva nenhum tipo de rascunho prévio e sempre é acompanhado pela sonoridade das guitarras e baterias da banda White Stripes e outros rocks norte-americanos. A trilha musical dá o tom performático no trabalho cujo resultado na tela é uma mistura de cores vibrantes e formas ora gelatinosas, ora geométricas.
Tonalidades roxas, rosas – suas preferidas – e em outras cores variadas e claras são predominantes nas obras de Parigi. Ele define-as, com o pudor de quem não gosta de explicar seu trabalho, como um geometrismo colorido, ou uma pintura com aspecto.
O geometrismo anamórfico é a característica que mais desassocia Parigi de outros pintores expoentes de sua geração, como Marina Heigantz e Rodrigo Bivar. Ambos formam junto com Parigi e mais cinco pintores o grupo 2000e8, apenas de novos artistas. Enquanto os contemporâneos de Parigi seguem modelos mais figurativos na pintura, com retratos e expondo os traços dos pincéis, o artista prefere se assemelhar com a arte digital, na qual abusa-se das ferramentas de colagem e edição de imagem no Photoshop. A intenção de Parigi é exatamente fazer uma pintura com Photoshop, um trabalho de possibilidades, com elementos fotográficos, tridimensionais e até da colagem.

Os elementos abstratos e tridimensionais de Parigi, com aspecto psicodélico, não são experimentações novas, e até são bastante explorados atualmente nas artes gráficas, no design e, principalmente, no graffiti brasileiro que vive um auge desde o início da década, quando foi redescoberto. Grafiteiros mais abstratos como Highraff, Hebert Baglione, Zezão, Boleta e Bugre também são bastante influenciados por desenhos anamórficos e delineados e pintam nos muros formas viçosas semelhantes às que Parigi esculpe com o pincel.
O pintor também não se restringe ao espaço da tela. Em uma de suas séries, chamada Apropri…ação, ele leva seus desenhos às paredes para ampliar os limites e abandona as cores fortes. Ele prefere explorar neste trabalho a dualidade do branco-e-preto somada os ângulos retos das paredes e à forma cúbica do suporte, algo bastante semelhante às obras de Regina Silveira, porém, com o peso de seus traços e desenhos únicos. E também sem planejamento, sem um projeto da obra, ao acaso.
Apesar de Parigi também usar o suporte da parede e elementos abstratos, ele afirma que não gosta de graffiti e até vê essa arte de rua com rancor. Os desenhos nos muros não o atraem, mas Parigi vê uma beleza nas pixações (como os pichadores costumam descrever) com letras estilizadas e criativas criadas pelos adolescentes de periferia que escalam prédios.
O artista se destaca porque traz uma nova experiência desses elementos psicodélicos badalados. Consegue representar muitos tipos de formas, sem a lógica do graffiti, mas criando a sua própria característica. Formas líquidas em primeiro plano que conversam com traços retos não-paralelos que preenchem o fundo, e questionam até mesmo seus próprios elementos.
Ele acredita que o trabalho artístico serve exatamente para questionar, para “desnudar mundos possíveis”. Sua intenção, ele diz, não é mudar a sociedade, mas reordená-la. É exatamente isso que Parigi faz. Aprende fazendo. E cria sua própria lógica.
Link – 08/12/2008
Com atraso, as matérias do Link desta semana:
- Netbook é útil e prático, mas preço pode melhorar
- Resolva o seu Natal nas lojas virtuais
- Natal do iPhone? Pense duas vezes… (minha autoria)
- Celulares já substituem tocadores de MP3
- O mundo visto pelos olhos de um romântico (Vida Digital com Michel Gondry)
Os Simpsons e a Apple
Uma das melhores tirações dos Simpsons que já vi, nos últimos dias.
O melhor de tudo é que eles só falaram a verdade.
Jornalismo à distância
Sinais do tempo. Um jornal da cidade americana Pasadena demitiu todos os jornalistas e contratou gente na Índia para escrever notícias locais, sobre Pasadena, sem nunca ter pisado nos EUA.
Ainda tô procurando minha opinião sobre isso. O jornal vai ficar muito mais pobre, mas, no atual estado, acho que é perfeitamente possível fazer uma cobertura factual basicona de qualquer lugar. Sejamos realistas, é o que acontece na maior parte das redações online. E, infelizmente, pouca gente não dá a mínima pra qualidade da notícia.
A matéria é do NY Times de ontem, mas vi no Observatório da Imprensa, um texto belíssimo do Luiz Weiss.
Link – 1/12/2008
A primeira edição de dezembro:
- TVDigital 1 ano. Quem já tem está gostando?
- Ajuda a Santa Catarina vem via web (minha autoria)
- Um clássico ressurge em grande estilo (Need for Speed Undercover)
Call center
Uma coisa escapa nessa pataquada toda das novas regras do call center. Não há como discordar que o tempo que se espera na linha para ser atendido é uma falta de compromisso de empresas – concessionárias de serviços públicos, por sinal (quando a Anatel vai virar realmente um órgão regulador?). Mas esse é apenas um, para não dizer o menor, dos problemas no atendimento telefônico ao consumidor. E o único com o qual o presidente resolveu se preocupar de uma hora pra outra, sem ninguém entender nada.
É inacreditável que até hoje empresas de telecomunicação não consigam organizar sua própria comunicação. Os atendentes não são treinados adequadamente para dar conta de toda a gama de serviços que elas oferecem. Seguem o script com a mesma capacidade de um interruptor. Se o cliente questiona sobre a oferta de um plano qualquer, o atendente nunca sabe o que dizer. Por quê? Não está no script. São treinados, é verdade, para não saber.
O resultado são milhares de brasileiros que assinam planos, aderem a promoções ou serviços acreditando que pagarão certa quatia de mensalidade, mas ao final dos 30 dias, o valor é outro. Não adianta questionar porque isso também não está no script, nem na descrição documentada no Sistema.
Fui uma dessas vítimas. Só neste ano meu humilde ordenado foi roubado umas 5 vezes pela Net e pela Tim porque o atendente explicou TUDO errado na hora de trocar de plano, comprar pacote de não-sei-o-quê.. Na hora de reclamar, a situação é a mesma. O problema é verificado, ficam de entrar em contato. Não consigo nem fazer as contas de quanto navios fico a ver.
Desde a privatização, há dez anos, as Teles deitam e rolam no Brasil. Pagaram baratíssimo por um dos mercados mais lucrativos no mundo. Em troca o governo pediu qualidade de serviço? De certa forma. Cobrou a expansão das áreas de cobertura? Pediu, mas isso ia ser feito do mesmo jeito. Fez questão de que houvesse um teleatendimento bom? Bom, a resposta é essa leizinha agora.
Devaneio – Pra mim, os call centers são um dos maiores símbolos de nosso tempo…
Ingrid e McCain: ligação estranha
Manchete do caderno Internacional de ontem: McCain leva campanha em viagem à América Latina, passando pela Colômbia.
Principal notícia de hoje: Ingrid libertada em ação não-violenta junto com outros 15 reféns das Farc, entre eles, três americanos.
Não foi só eu que achou a “coincidência” estranha.
Segundo as informações, os americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell trabalhavam para a empresa Northrop Grumman, um fabricante de materiais BÉLICOS. É a maior companhia de produção de navios de guerra e a quarta com os maiores contratos na área militar do mundo.
Também de acordo com as notícias, os caras faziam um trabalho de reconhecimento das plantações de coca na Colômbia. Foram parar nas mãos das Farc, em 2003, depois que o avião em que voavam caiu na selva “no meio de um grande grupo de guerrilheiros” — as aspas são dos próprios americanos.
Mais bizarro que isso é essa notícia de março: conselheiros de McCain fizeram lobby para que a européia EADS e a NORTHROP GRUMMAN ganhassem uma licitação para a fabricação de aviões-tanque em um dos maiores contratos com o Pentágono da última década.
A montagem pode ser barata, mas traz muitas dúvidas. Outro dia um assessor de McCain dizia que um atentado terrorista poderia ajudar a candidatura… Duvido que ele não vai se aproveitar do “fato”.
até a próxima (b)postagem!
*imagem do site da Northrop Grumman
